O corpo humano é uma engrenagem complexa e perfeitamente integrada. Cada músculo, osso e articulação tem sua função e influencia diretamente o funcionamento do todo. Entre essas estruturas, existe uma região fundamental que, por muito tempo, foi esquecida: o assoalho pélvico.
Essa musculatura, apesar de discreta e pouco visível, é uma das mais importantes para a estabilidade, o controle e a saúde global do corpo.
O assoalho pélvico é um conjunto de músculos, ligamentos e fáscias localizados na base da pelve, formando uma espécie de “rede de sustentação” para os órgãos pélvicos — bexiga, uretra, útero, vagina e reto. Ele é responsável por funções vitais, como a continência urinária e fecal, o suporte da região abdominal e lombar e o controle da função sexual.
Segundo a literatura fisioterapêutica, essa musculatura também está diretamente ligada à postura e ao equilíbrio corporal. O Manual de Fisioterapia Pélvica da ABRAFISM (Associação Brasileira de Fisioterapia em Saúde da Mulher) destaca que a fraqueza do assoalho pélvico pode levar a sobrecarga lombar, instabilidade da pelve e alterações posturais, além de sintomas como dor pélvica crônica e incontinência.
Apesar de sua importância, o assoalho pélvico é uma das regiões menos conscientizadas do corpo. Muitas pessoas só percebem sua existência quando surgem sintomas, como escapes urinários ao tossir, rir ou fazer esforço. E é aí que o Pilates se destaca como um poderoso aliado na prevenção, fortalecimento e reabilitação dessa musculatura.
O Método Pilates, criado por Joseph Pilates no início do século XX, é baseado em seis princípios fundamentais: concentração, controle, centro de força (Powerhouse), precisão, respiração e fluidez. Entre esses princípios, o Powerhouse — ou centro de força — é o mais relevante para o tema. Ele inclui o abdômen profundo, a musculatura lombar, os glúteos, os músculos internos das coxas e o assoalho pélvico.
Em outras palavras, todo movimento no Pilates parte do centro do corpo. Assim, quando o aluno ativa o abdômen e mantém o controle postural, ele também está ativando, de forma consciente ou reflexa, a musculatura do assoalho pélvico.
De acordo com pesquisas publicadas no Journal of Bodywork and Movement Therapies (2018), o Pilates melhora significativamente a força do assoalho pélvico e reduz sintomas de incontinência urinária em mulheres após o período gestacional e na menopausa. Esse resultado se deve à combinação de respiração consciente, controle motor e estabilização pélvica, pilares centrais do método.
O Pilates é uma prática completa, que trabalha o corpo e a mente. Seus benefícios vão muito além da estética ou do condicionamento físico — ele atua na reorganização funcional do corpo, melhorando a forma como nos movimentamos, respiramos e sustentamos o peso corporal.
Abaixo, estão alguns dos principais benefícios do Pilates para o assoalho pélvico:
Os exercícios de Pilates promovem a contração isométrica e excêntrica dos músculos do assoalho pélvico, o que melhora o tônus e o controle voluntário. Isso ajuda na prevenção da incontinência urinária e no fortalecimento da musculatura íntima, com reflexos positivos também na vida sexual.
A musculatura pélvica faz parte da base de sustentação da coluna vertebral. Quando fortalecida, contribui para uma postura mais ereta e estável. O Pilates trabalha de forma integrada os músculos do core, resultando em melhor alinhamento postural e equilíbrio.
A falta de estabilidade pélvica pode gerar sobrecarga na lombar e nas articulações do quadril. Ao fortalecer o assoalho pélvico, o praticante diminui o risco de dores lombares, hérnias discais e lesões musculares.
A prática do Pilates estimula a percepção dos músculos internos, algo essencial para reconhecer e corrigir disfunções. O aluno aprende a identificar e ativar o assoalho pélvico conscientemente, melhorando a coordenação e o controle motor.
Além dos ganhos físicos, o fortalecimento do assoalho pélvico pode trazer mais autoconfiança, autoestima e bem-estar emocional, especialmente em mulheres que sofrem com sintomas constrangedores, como escapes urinários.
O envelhecimento natural traz uma série de alterações fisiológicas — entre elas, a redução da massa muscular (sarcopenia) e a perda da tonicidade do assoalho pélvico. Isso explica por que tantas pessoas idosas sofrem com incontinência urinária, quedas e desequilíbrios posturais.
O Pilates para idosos é uma das formas mais eficazes de combater esses efeitos. Por ser uma prática de baixo impacto e alta consciência corporal, ele pode ser adaptado a qualquer condição física e ajuda a restaurar o controle e a força do corpo de forma segura.
Estudos publicados na Geriatrics & Gerontology International demonstram que idosos que praticam Pilates apresentam melhora significativa na estabilidade postural, mobilidade funcional e na força do assoalho pélvico, com redução de 35% no risco de quedas e melhor desempenho nas atividades da vida diária.
Entre os principais benefícios do Pilates para idosos, podemos destacar:
Melhora da coordenação e do equilíbrio;
Fortalecimento da musculatura profunda e do core;
Redução das dores articulares e lombares;
Prevenção de quedas e lesões;
Maior independência e confiança para realizar atividades diárias.
Além disso, o ambiente do estúdio proporciona socialização, acolhimento e estímulo cognitivo, fatores que contribuem diretamente para o bem-estar emocional do idoso.
Cada corpo tem uma história e uma necessidade diferente. No Ô Pilates, o atendimento é individualizado desde a aula experimental. O primeiro passo é realizar uma avaliação detalhada, investigando histórico clínico, hábitos, nível de atividade e possíveis disfunções.
A partir daí, o instrutor — sempre fisioterapeuta — traça um plano de atendimento personalizado, com objetivos específicos e progressões seguras. Durante as aulas, os exercícios são adaptados conforme a evolução e as respostas do corpo, garantindo eficácia e segurança em cada movimento.
Em casos de disfunções do assoalho pélvico (como incontinência urinária, prolapso ou dor pélvica), o Pilates atua como terapia complementar, sempre em conjunto com o acompanhamento médico e fisioterapêutico especializado.
Os exercícios abaixo são amplamente utilizados no Pilates clínico e tradicional, e quando realizados com consciência e técnica, potencializam a ativação do assoalho pélvico:
Bridge (Ponte) — Fortalece glúteos, abdômen e assoalho pélvico.
The Cat (Gato) — Melhora a mobilidade da coluna e o controle respiratório.
The Hundred — Ativa o core e aprimora o controle da respiração.
Thigh Stretch — Trabalha estabilidade e alinhamento pélvico.
Lateralização de quadris na Fitball — Aumenta a coordenação e a consciência do períneo.
Single Leg Stretch — Fortalece abdômen e melhora a estabilidade do tronco.
Double Leg Stretch — Trabalha força e coordenação respiratória.
Swimming — Fortalece costas, glúteos e musculatura pélvica.
Spine Stretch Forward — Aumenta flexibilidade e consciência postural.
The Saw (Serrote) — Melhora a mobilidade e ativa músculos estabilizadores da pelve.
Esses exercícios devem sempre ser realizados com acompanhamento profissional, respeitando os limites e as condições individuais. A qualidade do movimento é mais importante do que a quantidade de repetições.
A respiração é um dos princípios centrais do Pilates e está diretamente conectada ao trabalho do assoalho pélvico.
Durante a inspiração, o diafragma desce, aumentando a pressão abdominal; já na expiração, ele sobe, e o assoalho pélvico se contrai levemente para auxiliar na estabilização da pelve e da coluna.
Esse sincronismo entre respiração e ativação pélvica melhora o controle interno do corpo e é essencial no tratamento de disfunções uroginecológicas.
Ensinar o aluno a respirar corretamente é, portanto, uma das bases do fortalecimento consciente do assoalho pélvico no Pilates.
Outro ponto pouco comentado, mas extremamente relevante, é a relação entre o assoalho pélvico e a função sexual.
A fraqueza dessa musculatura pode reduzir a sensibilidade, causar desconforto ou dor durante o ato sexual e afetar a autoestima.
O Pilates, ao promover o fortalecimento e a circulação sanguínea da região pélvica, auxilia na melhora da função sexual, tanto em homens quanto em mulheres.
Além disso, o aumento da consciência corporal e o relaxamento proporcionado pelo método têm impacto direto sobre a autoconfiança e o bem-estar emocional.
Envelhecer com qualidade é possível — e o Pilates é um dos maiores aliados nesse processo.
Ao promover o fortalecimento global, o equilíbrio e o controle corporal, o método contribui para uma longevidade ativa, com autonomia e vitalidade.
O assoalho pélvico, por sua vez, é a base desse processo: quanto mais forte e consciente ele estiver, melhor será o desempenho funcional e a capacidade de manter-se ativo e independente.
O Pilates é muito mais do que um exercício físico: é uma prática de autoconsciência, reabilitação e fortalecimento integral.
O trabalho sobre o assoalho pélvico é uma das suas maiores contribuições, pois essa musculatura está intimamente ligada à postura, ao equilíbrio, à sexualidade e à qualidade de vida.
Ao unir respiração, controle e movimento, o Pilates promove não apenas o fortalecimento físico, mas também o equilíbrio emocional e a conexão com o próprio corpo.
Seja para jovens, adultos ou idosos, o método oferece benefícios duradouros e transformadores.
No Ô Pilates, em São Paulo, cada aluno é acompanhado de forma personalizada por profissionais fisioterapeutas, que avaliam, orientam e conduzem um plano de evolução contínuo.
Aqui, o objetivo é fazer do Pilates um verdadeiro instrumento de saúde, longevidade e bem-estar.
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